CICLO DE CONFERÊNCIAS AÇORES E MADEIRA
PORTO SANTO 600 ANOS

22 de setembo às 18h00 na Sala Multiusos Gaspar Frutuoso, Casa da Madeira nos Açores
Entrada sujeita a marcação prévia

No âmbito da celebração dos 600 anos da descoberta e povoamento da ilha do Porto Santo, pelos navegadores portugueses, o CHAM – Centro de Humanidades e o CEHA – Centro de Estudos de História do Atlântico em colaboração com a Casa da Madeira nos Açores (CMA) levam a efeito um ciclo de conferências, que têm como objetivo dar a conhecer um pouco da história da primeira ilha do arquipélago da Madeira a ser povoada.
As conferências serão moderadas por N’Zinga Oliveira (CHAM&CMA) tendo como oradoras: Edite Alberto (CHAM), Cláudia Faria (CEHA) e Graça Alves (CEHA).
A organização do evento convida todos os interessados a participar no Ciclo de Conferências Açores e Madeira. Entrada sujeita a marcação prévia através do endereço electrónico: casadamadeiraacores@gmail.com.
Organização de CHAM / FCSH/NOVA | UAc, CEHA e CMA
Comissão organizadora: Duarte Nuno Chaves e N’Zinga Oliveira
Oradoras: Cláudia Faria, Edite Alberto e Graça Alves
Moderação: N’Zinga Oliveira

CONFERÊNCIAS

“Andam mouros na costa”: ataques de corsários e resgates de cativos em Porto Santo – Edite Alberto (CHAM)
Na Memória dos Captivos de Argel resgatados (…) pelos padres redentores Frei André de Albuquerque e Frei António da Cruz, religiosos da Ordem da Santíssima Trindade, impressa em 1618, surgem referenciados cerca de quarenta indivíduos, naturais da ilha de Porto Santo, que haviam sido aprisionados por corsários argelinos e levados para o norte de África. Partindo da identificação destes cativos e tendo por base a documentação do cartório da extinta Ordem da Santíssima Trindade, pretendemos abordar a temática do corso argelino que amiudamente assolou as costas da ilha bem como explicitar o modo como eram organizados os resgates daqueles que, prisioneiros em Argel, aguardavam o regresso ao reino.

PARA LÁ DA TRAVESSA – (REPRESENTAÇÕES LITERÁRIAS DO PORTO SANTO) – Graça Alves (CEHA)
Para lá da Travessa, há uma ilha que parece iludir a monotonia azul do Atlântico, uma ilha pequena, constantemente comparada com outra, mais nova, irmã de mares e de aventuras: o Porto Santo. Pretende-se, nesta comunicação, procurar o que autores portugueses escreveram sobre esta ilha e interpretar, com olhar ilhéu, essa rede de significados que permitem dizer desta ilha atlântica, da sua história, da sua configuração, do seu povo, das relações que estabelece com o mundo.

Porto Santo – um (não) lugar na literatura de viagens estrangeira? – Cláudia Faria (CEHA)
Peter Hulme diz-nos que escrita e viagem caminham juntas e, na realidade, a literatura de viagens, entendida como um corpus literário e etnográfico tem trazido para o palco vozes de cronistas, aventureiros, religiosos, políticos, viajantes, escritores e poetas para quem o mundo é uma geografia a descobrir, a fruir e a partilhar. Esta busca por novas territorialidades – o spatial turn ( Soja, 1989) enquanto abordagem sustentada nos “mundos e  textos” possíveis possibilita diálogos e cartografias mais abrangentes e inclusivas.
Apesar de Braudel insistir de que a História não passa apenas pelas ilhas como se serve delas, a verdade é que o Porto Santo – esta ilha-mais-ilha – nem sempre encontrou espaço nas páginas que os forasteiros dedicaram à passagem pelo Arquipélago da Madeira. Estamos perante um locus literário ausente? Por que motivo os forasteiros não viram ou não quiseram ver o Porto Santo? Que (des) encantamento é este que persiste na vida (re)contada e na vida vivida?
São estas algumas das inquietações que iremos abordar nesta reflexão sobre o Porto Santo, primeira ilha a ser ocupada pelos Portugueses na época quinhentista.